Cena do longa Mulher do Pai

 

Por mais que não concordemos, alguns filmes já tentaram exemplificar a profissão de Relações Públicas em personagens, como: Nick Naylor (Aaron Eckhart) em Obrigado por Fumar, que defende a indústria tabaqueira através da manipulação da opinião pública na mídia tradicional; ou Bill McKay (Robert Redford), em O Candidato, onde o relações-públicas tem o dever de criar um candidato à presidência, através da manipulação da verdade na criação do material de campanha.

A relações-públicas Graziella Frest (Foto: arquivo pessoal)

Se seguirmos o senso comum estereotipado por filmes hollywoodianos sobre a profissão, ouviremos as seguintes afirmações: é sobre eventos; planejamento estratégico; marketing, manipulação da opinião pública, entre outros. Entretanto, é possível ir além desses estereótipos e nos aventurarmos na produção audiovisual. Quem nos afirma isso é a Graziella Frest. Formada em Relações Públicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e especialista em Cinema pela Universidade do Vale do Sinos (Unisinos), Frest pode ser considerada uma “outsider” (pessoa que está adjacente ao grupo de colegas de profissão) no campo de RP. Longe de trabalhar com cinema, foi chamada para atuar como assistente financeiro pela Panda Filmes na produção de um longa – Diários de um Novo Mundo – e adorou a ideia: “existe uma magia no cinema”, afirma. Após o encerramento desse filme, foi chamada para trabalhar na produção dos projetos da Panda. Atualmente, trabalha na OKNA Produções, como produtora executiva.

Para a profissional, Relações Públicas contribui magnificamente com o produtor porque trabalha com planejamento, gestão da comunicação e gestão de projeto, o que facilita o entendimento da empreitada de uma forma concreta. Com esses atributos, já produziu séries de TV, que já foram ao ar na RBSTV e TVE, além de curtas, longas, documentários, video-clipes, entre outros. Embora usufrua dessas habilidades, todo projeto é dinâmico e uma experiência muito diferente da outra. Graziella recorda de um caso peculiar, em 2015, quando estavam gravando o longa “Mulher do Pai”, em um bairro ocupado, no interior de Bagé, onde não existia hotel, farmácia ou posto de gasolina. Sendo o lugar ideal para as filmagens, tiveram que estruturar a equipe em casas há alguns quilômetros do bairro e enfrentaram as diversidades. Apesar de tudo, o filme foi concluído e venceu os prêmios de Melhor Direção, Melhor Atriz Coadjuvante (Verónica Perrotta), Melhor Fotografia e Melhor Mixagem no Festival do Rio 2016, além de participar do Festival de Berlim na categoria Urso de Cristal.

Hoje, bem sucedida na sua carreira e uma das fundadoras da OKNA Produções, não se enxerga fazendo outro tipo de trabalho. “Me apaixonei por cinema, não era o meu sonho e agora não me vejo fazendo outra coisa. Existe uma satisfação pessoal com os filmes e a diferença que eles fazem na vida das pessoas”, afirma Frest.

Entretanto, para os aspirantes ao audiovisual, que querem seguir como ela, esperem uma dura realidade financeira, que a atormentava no início da carreira: “nunca houve oposição da família, mas sempre ouvi questionamentos sobre o futuro. Eu não teria respaldo financeiro dos familiares se me tornasse freelancer, mas como entrei com um salário fixo na Panda, e eu precisava desse dinheiro na época, tive mais fôlego. Viver do audiovisual é um grande desafio, tanto financeiro quanto criativo”, finaliza Graziella com um ar tímido.

 

Confira as cenas do longa Mulher do Pai: