Sediar um evento internacional como a Copa América é algo almejado por praticamente todos os países da América Latina. Seja para aumentar a visibilidade do país no mundo – atraindo turistas e investidores – ou gerar novos empregos, a possibilidade de se tornar o país sede de um evento grandioso é lucrativo de diversas formas. E quando se trata do país do futebol, esse desejo ainda é maior.

Neste ano o Brasil teve a chance de sediar a Copa América, evento que contou com a ajuda centenas de organizadores e auxiliares para se tornar realidade. Uma das pessoas que teve a oportunidade de trabalhar dentro e fora dos jogos  é Júlia Maria, estudante de Relações Internacionais na UFRGS, que contou um pouco mais sobre o funcionamento durante os dias de jogo e a sensação de atuar dentro de um evento internacional tão grande como a Copa América.

A jovem de 20 anos detalha como começou a trabalhar no setor de imprensa: “Consegui a vaga através de uma amiga, cujo pai já trabalhou com grandes eventos, como olimpíadas e copas do mundo. Havia apenas duas vagas disponíveis, mas eu e minha amiga conseguimos ocupá-las. Como fui chamada uma semana anterior ao início da Copa, o processo de realizar o contrato e assinar a carteira de trabalho teve que ser bem rápido”, afirma Júlia.

A estudante, que trabalhou como auxiliar de operações da imprensa na Copa América, conta que sua equipe era composta por 24 pessoas: um coordenador, um analista, três assistentes e 19 auxiliares de operação. Sua área específica de atuação foi a área da imprensa sem direitos, ou seja, os jornalistas, fotógrafos etc. que não eram detentores de direitos como transmissão ao vivo, etc. Ela detalha sobre as áreas onde atuou enquanto imprensa:

Foto: arquivo pessoal

Pré-jogo

Centro de Mídia: espaço de lazer dentro do estádio com várias mesas e televisões, onde os jornalistas escreviam suas matérias, baixavam as fotos capturadas antes, durante ou depois dos jogos, etc. “Esta sala abria geralmente quatro horas antes do jogo começar para os jornalistas se prepararem, e fechava três horas após a partida”, conta a estudante.

Durante o jogo

Beira do gramado: observar se os fotógrafos estavam precisando de algo. Eles eram proibidos de filmar ou tirar fotos com seus aparelhos celulares para evitar que postassem em suas redes particulares. Era permitido que usassem apenas suas câmeras profissionais. “Durante o hino, também cuidávamos de uma barreira criada para que eles não ultrapassassem a área delimitada para filmar ou capturar fotos”, explica a profissional.

Tribuna: local no meio da arquibancada reservado para a imprensa. Apenas os detentores de direitos de transmissão – como a Globo – podiam realizar transmissões e vídeos ao vivo.

Pós-jogo

Coletiva de imprensa: auxiliar jornalistas e qualquer um que necessitasse de algo;

Zona Mista: onde os jogadores passam e respondem (caso queiram) às questões dos jornalistas. Nesse local os não detentores de direito eram proibidos de filmar, apenas gravar o áudio com o celular. 

Foto: arquivo pessoal

Para a estudante, trabalhar na Copa América foi muito gratificante, pois permitiu a ela lidar com novas culturas, conhecer diferentes realidades, criar novas amizades e fortalecer a língua inglesa, necessária para se comunicar com jornalistas e profissionais de outras partes do planeta. A oportunidade também foi válida para fortalecer o networking. “Tive a oportunidade de conversar com diversos jornalistas famosos no meio esportivo nacional e internacional, pois eram pessoas muito abertas a conversar. Também mantive bastante contato com o pessoal da Conmebol, com a equipe técnica, dentre outras. Nós vimos a gama enorme de pessoas que estavam envolvidas com o evento”, conta a jovem.

Segundo ela, independentemente se você pensa em trabalhar num ambiente como o de eventos internacionais, é muito bacana conhecer uma realidade diferente, vivenciar e participar do funcionamento de todo o projeto. “É interessante até para ver se é uma área onde você quer seguir”, afirma a jovem.