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junho/2016 | Notícias

Ocupar e resistir: a importância das mídias sociais nas ocupações das escolas públicas

Estudantes do ensino público, envolvidos em protestos em diversos pontos do país, conquistaram a confiança e a visibilidade do público que os acompanha através da comunicação na internet.

Em fevereiro deste ano, em São Paulo, após um escândalo de desvio da verba destinada à merenda escolar, os alunos da rede pública ocuparam as suas escolas em forma de protesto. No Rio Grande do Sul, o Colégio Emílio Massot foi o primeiro a ser controlado pelos estudantes no dia 11 de maio. Seguiram-se mais 150 ocupações, entre suas reivindicações estavam a melhorias na estrutura das escolas, fim dos projetos de lei 44/2016, que visa a privatização da escola pública, e 190/2016, conhecida como escola sem partido.

Utilizando as mídias sociais como ferramenta de comunicação e difusão do movimento, os estudantes puderam compartilhar informações, trouxeram o cotidiano das ocupações, suas pautas e oficinas, e assim ganharam grande popularidade e propagaram suas reivindicações.

Estudantes divulgam suas pautas e o que acontece dentro das escolas ocupadas. Foto: João Paulo de Boer.

Estudantes divulgam suas pautas e o que acontece dentro das escolas ocupadas. Foto: João Paulo de Boer.

No Instituto de Educação General Flores da Cunha (IE), ocupado desde 18 de maio, estudantes apresentaram a sua escola e explicaram como estão se organizando. Os jovens se dividiram em comissões e cada comissão foi responsável por alguma atividade que visou a colaboração e o bom funcionamento, são elas: segurança, infraestrutura, limpeza, alimentação, programação e comunicação.

A comissão de comunicação é composta por nove alunos e esses se dividem entre as contas criadas no Facebook, Twitter e Snapchat. A estudante Camila Vasques, de 16 anos, estuda no Instituto de Educação e participa ativamente da comissão da comunicação. Ao ser questionada sobre a responsabilidade e o cuidado com cada uma das contas, ela ressalta: “A gente tem no Facebook uma página onde divulgamos tudo que acontece na ocupação, divulgamos o nosso cronograma, as nossas atividades e pedimos doações. No Snapchat e no Twitter postamos o nosso dia a dia, fotos da ocupação, o que está acontecendo e é mais dinâmico, porque nós podemos postar toda hora.” Camila vê a diferença na percepção das pessoas que não estão envolvidas na ocupação, ela acredita que as mídias sociais ajudam a enxergar um outro lado da ocupação que muitas vezes não é divulgado pela mídia tradicional: “A gente pode mostrar o que realmente acontece aqui dentro, porque todo mundo acha que a gente só faz bagunça e na verdade não, a gente tem várias oficinas e através das mídias se pode divulgar, chamar as pessoas para dentro do colégio, para participar das oficinas e doar o que precisamos.”

Os jovens aprendem sobre comunicação através da confecção de cartazes, folders e conteúdos para as mídias sociais. Foto: João Paulo de Boer.

Os jovens aprendem sobre comunicação através da confecção de cartazes, folders e conteúdos para as mídias sociais. Foto: João Paulo de Boer.

Fredericco Restori, 18 anos, aluno no 3º ano do Ensino Médio do IE, ressalta que as mídias sociais são as principais ferramentas de comunicação da ocupação, tendo em vista que na maioria das escolas os veículos tradicionais de imprensa não são atendidos. O aluno explica: “A gente não deixa a imprensa entrar aqui por medo, porque a gente sabe que ela é tendenciosa. Que ela pode vir a manipular as questões para desmoralizar o movimento, porque ela acaba tendendo para um lado, que é o lado dominante, o lado do capital”.

O curso de comunicação social é amplamente conhecido entre os universitários, por ser uma área ampla que busca o envolvimento com as pessoas, é imprescindível no desenvolvimento das organizações e na integração entre as empresas e seus públicos. Nas escolas ocupadas, a comunicação não está apenas nas mídias sociais, mas também em cartazes, faixas e folders, confeccionados pelos próprios alunos, onde eles expõem o seu posicionamento perante as suas reivindicações. A estudante Camila já pensa em seguir carreira na área da comunicação e enxerga na comissão a possibilidade de ter essa experiência, mesmo que mínima, na área: “Eu quero trabalhar com comunicação, eu gosto muito e é uma maneira de experimentar me comunicar com as pessoas, defendendo o que eu acredito que é a ocupa, ser da comunicação aqui tem me ajudado muito.”

A mobilização dos estudantes que ficaram mais de um mês ocupando as escolas, e o sucesso das ocupações se devem, em parte, pela utilização estratégica das mídias sociais. Pois,  com o uso delas, conseguiram apoiadores, doações de alimentos e produtos de limpeza, conquistando boa parte da opinião pública ao mostrar a rotina das escolas, suas oficinas, e que não estavam lá para fazer baderna, e sim para lutar por direitos básicos, como a educação pública de qualidade.

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