julho/2015 | Artigos

O Feminismo contra o machismo e não contra os homens

O machismo está extremamente enraizado em nossa sociedade, o que nos faz acreditar que nós, mulheres, não temos direito de escolha e o nosso comportamento é regrado pelos homens. Os valores masculinos são impostos e devemos viver de acordo com eles, sem refletir. Logo em meu primeiro emprego, obtive aquilo que era um sonho, minha independência financeira. Infelizmente, acabei me deparando com situações onde colegas com o mesmo cargo, porém do gênero masculino, eram levados a sério e tinham remuneração elevada quando comparada com a minha. Por muitas vezes, eu recebia elogios devido à minha dedicação e eficiência nas atividades que executava, porém, o reconhecimento do meu trabalho não era comparado ao de todos os colegas, mas sim, apenas com colegas do sexo feminino, visto que muitas vezes eu escutava nos corredores comentários como “só faz isso e diz que não dá tempo para fazer mais nada” e comecei a reparar que eu nunca estava sendo comparada com meus colegas do sexo masculino, mesmo que fosse claro a minha eficiência e dedicação. Isto nunca refletia no contra cheque. Conversando com colegas e amigas com mais experiência no mercado para tentar identificar o que eu estava fazendo de errado, ficou claro que não havia nada de errado com as atividades que eu executava, mas, sim, com meu gênero.

Existe um preconceito com o sexo feminino que alimenta uma epidemia em nosso país. Uma epidemia que define as mulheres como loucas, irracionais, exageradamente sensíveis, confusas e incapazes de lidar com grandes decisões. E, obviamente, diante de todos estes “fatos”, as mulheres possuem capacidade de serem excelentes donas de casa ou capazes secretárias que servem bolo com café.

A incrível lógica masculina da inferioridade da mulher perante um homem não somente liberta a mulher de escolhas difíceis, tais como, carne bovina ou de frango, mas também limitam seu intelecto e sua capacidade de crescimento em uma sociedade que cada vez mais exige destaque e qualificação. O pesquisador José Abrantes, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), analisou 137 mil notas tiradas durante um semestre por 22 mil alunos da instituição privada Centro Universitário Augusto Motta (Unisuam),  que usou como base a teoria das inteligências múltiplas. Na média, as notas femininas foram 3% superiores às masculinas. Eles se destacaram em apenas três. Elas, em nove. Enquanto os homens têm maior facilidade em matemática, as mulheres se expressam melhor pela escrita e pela fala e possuem maior entendimento de questões filosóficas. A Dra. Courten-Myers acrescenta: “O reconhecimento de maneiras específicas ao gênero de pensar e sentir, tornadas ainda mais críveis dadas essas diferenças bem estabelecidas, poderia ser benéfico para a melhora de relações interpessoais.  Porém, a interpretação dos dados também pode trazer abuso e prejuízo se qualquer um dos gêneros tentar construir evidências para a superioridade do homem ou da mulher baseadas nessas descobertas.”

O ato de liberdade do feminismo, traz consigo o ostensivo ataque dos que são contrários a este novo conceito. A agressividade e hostilidade masculinas se tornaram comuns.  A libertação das mulheres trouxe à tona suas inseguranças, por isso, essa raiva, que tem como resultado a tendência de se comportar como se só as mulheres que ficam em casa fossem “puras”, enquanto as outras são fáceis. Quando as mulheres não se mostram disponíveis, os homens se sentem pessoalmente desafiados, por assim dizer. E é claro que isso acontece porque a nossa sociedade é condizente com o poderio do homem e a dominação dele em todas as classes.

Desde meus 12 anos, meu trajeto até escola, na Cidade Baixa era um tormento total. Durante os 18 ou 19 minutos em que eu descia do ônibus até a escola, eu convivia com palavrões e frases maldosas (em ambos os casos de cunho sexual), as quais eu não desejo para nenhuma menina que está saindo da fase da inocência. Ficava imaginando quantos pais nesse caminho não tinham provavelmente uma filha de mesma idade que eu. Se passaram anos onde eu não podia sentar num café e ler um livro sem ser molestada, andar pela calçada sem ouvir algum comentário totalmente desrespeitoso. Com um diálogo conturbado devido as opiniões de algumas amigas que consideravam essas atitudes normais, fiquei sem espaço para expressar a minha opinião. Somente quando entrei na faculdade, onde este assunto é debatido constantemente, comecei a confrontar estes indivíduos e, não bastando os comentários, ainda preciso ouvir respostas como “bem que você gosta”. E alguns me olhavam como se eu fosse obrigada a escutar aquilo. Infelizmente nossa sociedade identifica tais atitudes como normais, é como se eles tivessem a minha permissão para me desrespeitar sem qualquer tipo de repreensão, “eu deveria sorrir e agradecer” porque no fim “eu nem sou tão gostosa assim” e tem muita mulher no mundo. Segundo o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), em 2014, 85% das mulheres já tiveram seu corpo tocado sem permissão publicamente.

Como disse o autor Paulo Freire o “oprimido quando se liberta, liberta também o seu opressor” (Pedagogia Oprimido).  Portanto, a mulher se libertando das correntes machista, irá também libertar o homem das mesmas correntes”. O Feminismo compreende que devemos ser livres, tanto a mulher, quanto o homem, em uma sociedade na qual a experiência de cada pessoa é individualmente apreciada, independentemente de raça, gênero e cor. Claramente esta afirmação não é válida, pois as pessoas são diferenciadas por estas mesmas características.

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