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julho/2021 | Profissionais

Mulheres no comando

Conheça a relações-públicas que foi além das estatísticas e se tornou exemplo de liderança feminina na comunicação

A presença de liderança feminina nas empresas brasileiras cresceu nos últimos anos, embora ainda seja pequena. Mesmo com todas as conquistas e direitos alcançados ao longo dos séculos, dados da International Business Report da Grant Thornton apontam que em 2020 ainda há disparidade no que diz respeito à ocupação de altos cargos de liderança, sendo apenas 34% destes preenchidos por mulheres. Já na área da comunicação, a situação é um pouco mais favorável, segundo pesquisas da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje – 2019), 69% dos cargos de liderança são ocupados por mulheres.

Um exemplo de liderança feminina na comunicação é Márcia Horowitz Vieira, 41 anos, Doutora em Administração na área de Marketing, Coordenadora da área de Relações Comunitárias da PUCRS, mãe e esposa. Sua trajetória começou na Escola de Comunicação, Artes e Design – Famecos, da PUCRS, onde sempre foi seu sonho estudar. Foi bolsista de iniciação científica do Professor Roberto Simões e começou a estagiar desde o primeiro semestre do curso. Logo após sua formatura, no ano de 2002, iniciou o mestrado na Anglia Ruskin University, em Cambridge, na Inglaterra. Ao retornar ao Brasil, foi professora de inglês em uma escola de idiomas da capital gaúcha, sendo promovida a coordenadora da instituição e, por conseguinte, tornando-se gerente regional da mesma.

À procura de novos desafios, Márcia assumiu um cargo de liderança na área de Marketing em uma empresa alemã e abdicou de passar mais tempo com seus filhos, que eram pequenos, pois o trabalho exigia muitas viagens. Com o desejo de voltar à academia e à área da comunicação, começou a lecionar e, ao mesmo tempo, descobriu que não conseguiria validar seu mestrado no Brasil por questões burocráticas. A partir disso, decidiu cursar outro mestrado, na Escola de Negócios da PUCRS, e, paralelamente, começou a dar algumas aulas nessa Escola. Logo após terminar o mestrado, iniciou o doutorado e o trabalho como professora substituta na sua tão amada Famecos. “Foi o momento mais lindo da minha vida, poder voltar e ser colega dos meus próprios professores”, afirma.

Depois dessa etapa como docente, a comunicadora abriu sua própria empresa de consultoria de comunicação e marketing, começando assim sua carreira como empreendedora e consagrando-se como liderança feminina. Após dois anos empreendendo, voltou para a PUCRS e assumiu o cargo de Coordenadora de Relacionamento e, atualmente, exerce o cargo de Coordenadora da área de Relações Comunitárias da Universidade.

Quando o assunto é liderança, é impossível não pensar em Márcia e no seu jeito de conduzir uma equipe. A mesma acredita que, para ser uma boa líder e obter êxito, respeito, empatia e flexibilidade são fundamentais, mas não são suficientes. Também é crucial haver confiança mútua na relação gestor-colaborador, bem como diálogo e escuta acerca de opiniões e estratégias a seguir.

No que diz respeito aos obstáculos enfrentados por líderes femininas no mercado de trabalho, Márcia salienta que: “É difícil ser mulher em cargos de liderança, mas em alguns lugares pode ser mais fácil. Eu me sinto muito confortável dentro da Universidade, mas já não me senti em outros lugares”.  De acordo com a coordenadora, é de extrema importância a posição em que a mulher se coloca nas relações cotidianas dentro do ambiente de trabalho. A autoconfiança, para ela, impacta muito. Pesquisas realizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE – 2020) apontam que em cargos de direção e gerência as líderes ganham apenas 61,9% do rendimento dos homens, porém, a doutora se mantém otimista: “eu me vejo igual, é uma questão de mostrar qual é o nosso lugar naquele ambiente e isso gera respeito”, afirma. 

Embora tenha sempre mantido a autoconfiança, Márcia relata que em alguns momentos foi difícil até mesmo realizar uma reunião. Apesar dessas situações, ainda mantém sua opinião de que mulheres são líderes natas e possuem habilidades orgânicas e naturais que homens não têm. “A mulher já tem essa predisposição à liderança, pois é mãe, esposa, cuida da casa e é multitarefa. Isso já vem naturalmente da vida”, afirma orgulhosa.

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