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A indústria da moda é a segunda que mais polui o meio ambiente, perdendo apenas para o petróleo. Um estudo da revista Environmental Health publicado no ano passado revela que, aproximadamente, 85% das roupas utilizadas nos EUA são enviadas para aterros.

Após tantos escândalos envolvendo exploração de mão de obra de países não desenvolvidos, trabalho infantil e uso de produtos químicos altamente poluentes ao meio ambiente, algumas pessoas começaram a entender que essa forma de consumo era prejudicial e ameaçava a própria existência humana. Dessa forma, movimentos surgiram na tentativa de mudar a forma de consumo da população.

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Um desses movimentos é o slow fashion, que incentiva o consumo consciente não apenas na quantidade de peças de roupa que são compradas, mas também no processo de confecção e materiais usados. Para a professora da Famecos, Paula Puhl, o slow fashion é “uma consequência da reflexão que a sociedade está tendo em relação ao consumo consciente e à preservação de recursos naturais”.

A primeira vez que esse termo foi usado foi por Kate Fletcher, consultora e professora de design sustentável do britânico Centre for Sustainable Fashion, que se inspirou no slow food, movimento que visa melhorar a qualidade da alimentação das pessoas incentivando a apreciação dos alimentos.

O slow fashion veio justamente para unificar todos os termos que eram usados para descrever linhas de pensamento ecológicas relacionadas à moda. Indo de encontro à ideia da moda descartável, o movimento incentiva o pensamento sobre os impactos causados pelas nossas escolhas e mostra que é possível recriar em cima de peças de roupas que já existem, reduzindo a necessidade da fabricação de outras peças.

“Temos que ter consciência de todo o processo de produção do vestuário, desde os recursos naturais explorados até o tempo de produção e descarte de uma roupa”.

Paula Puhl
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O movimento não surgiu apenas com o intuito de gerar consciência nas pessoas. O slow fashion veio, também, para promover ressaltar a beleza da diversidade e das culturas ao redor do mundo. A globalização da moda padronizou os variados estilos, fazendo com que todos se vestissem de forma muito semelhante. Indo contra isso, o slow desafia os padrões já impostos favorecendo uma moda mais democrática.

Existe um outro formato de consumo que também é compreendido como slow fashion e vem ganhando força ao longo dos anos: a compra de produtos de segunda mão. Sendo por meio de lojas virtuais ou mesmo físicas, o garimpo de segunda mão é um movimento que vem aumentando. Segundo o site ThredUP, em um ano a compra de produtos usados cresceu em 25%. O objetivo é aumentar a vida útil dos produtos e fortalecer a reutilização. “Cada vez mais precisamos estar atentos em consumir produtos que não sejam descartáveis e sim apostar na reciclagem”, defende Paula.

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Recentemente, a varejista Urban Outfitters anunciou que vai investir no mercado de aluguel. A nova loja vai se chamar Nuuly, terá um sistema de cadastro por 88 dólares por mês e terá disponível para locação as peças das marcas próprias da Urban outfitters e, também, das marcas parceiras como Gal Meets Glam e Reebok.

Embora o processo seja lento, principalmente porque a grande maioria das pessoas está acostumada com o processo de consumo rápido e ligado a tendências de moda, o slow fashion está aos poucos mostrando que o que realmente importa é o impacto positivo que as mudanças nos hábitos podem gerar no meio ambiente e, consequentemente, na sociedade. “Ter um ato de compra mais consciente,  e pensar o que fazer com essa roupa após o seu uso  irá gerar alternativas de customização e aproveitamento cada vez mais criativas”, segundo a professora.