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junho/2016 | Notícias

Lowsumerism: a urgência do consumo consciente

Como os novos hábitos da modernidade vêm afetando a decisão de compra e a imagem das empresas junto ao consumidor.

Canal Café: uma ideia sustentável projetado dentro de contêineres. Foto: Cleisi Feistel.

Cada época pela qual a sociedade passa possui suas próprias características de consumo, afiladas com a própria história que se vive naquele momento, seja da explosão consumista que houve no século XIX, após o Início da Revolução Industrial, até o consumo individualista dos anos 1980, quando começaram a ser projetados e produzidos produtos para uso próprio e privado, como o computador portátil, por exemplo. Essas tendências também foram marcadas por movimentos de contracultura, como a filosofia hippie e punk das décadas de 1960 e 1970, que, à sua maneira, incentivavam um estilo de vida mais simples e contra a ordem dominante.

Assim, como não poderia deixar de ser, a era em que vivemos também é marcada pelas suas próprias características. Uma das principais tendências da atualidade é o que chamamos de Lowsumerism, que surge de uma junção das palavras de língua inglesa low e consumer, que literalmente querem dizer baixo consumo ou consumo mínimo. Esse estilo de vida vem de encontro aos grandes problemas ambientais, sociais e até mesmo políticos que hoje são parte de sociedades do mundo todo, porque acredita não apenas que devemos consumir pouco, mas sim equilibradamente, descartando o que não for realmente necessário, respeitando assim o meio ambiente e toda uma linha de produção que deve se tornar cada vez mais artesanal, sem deixarmos de nos privar de bens e produtos que existem para facilitar a vida de todos.

Afinal, lowsumerism para quem?

Embora seja uma macrotendência, o Lowsumerism não é algo introduzido na vida de todos de forma simples. Requer uma readequação e uma forte conscientização na forma de comprar e desejar bens de consumo com a qual estamos familiarizados desde a infância. Na era da obsolescência planejada – ou seja, os objetos têm sua morte programada já antes do lançamento, caso das inúmeras versões de iPhone que sempre surgem para substituir a anterior – muitas organizações ainda não começaram a atentar para este novo perfil de consumo, e como isso pode vir a afetar a sua trajetória e consolidação no mercado no futuro.

Claudio Matone, proprietário do Canal Café. Foto: Felipe Rauber.

Não é o caso de Claudio Matone, 26 anos, proprietário do Canal Café, cafeteria sustentável localizada dentro do Campus da PUCRS. Claudio conta que já tinha o sonho de ter um projeto sustentável desde 2012, mas que a burocracia dificultou o processo – ou seja, nem mesmo a lei incentiva esse tipo de prática pelas empresas. No entanto, ele não desistiu. “Antes mesmo que fosse modinha, eu já pensava em ter um negócio de baixo impacto ambiental, porque sentia essa demanda cada vez mais viva nos consumidores.” Tendo a cadeia americana Starbucks como referência, Matone acredita que cada vez mais as organizações se verão obrigadas a se readaptar a esse novo estilo de consumo, porque, ainda que o mercado não faça isso, o meio ambiente, já escasso em recursos, irá.

Já a professora da Famecos, Claudia Trindade, tem uma fala que corrobora parcialmente o que diz o empresário. Embora ela afirme que não se trata de apenas uma moda, mas sim de uma tendência sólida que vem sendo construída desde o evento Rio-92, também entende que os consumidores estão ficando mais exigentes e que, em função disso, as organizações precisarão mudar de postura.“ As pessoas estão mais conscientes, elas querem comprar de uma forma limpa e, para isso, precisam saber que a origem do produto é boa, que a empresa usa seus recursos de forma sustentável, que ela não explora trabalho infantil ou escravo, que ela trata bem seus funcionários. O consumo consciente vai além do que impacta o meio ambiente, mas também afeta as esferas social e cultural”, conta.

No entanto, Trindade é categórica ao afirmar que esse tipo de mudança não pode vir por meio de um discurso vazio: as organizações realmente precisam mudar as suas atitudes, remodelar suas ações desde o cerne do negócio para que elas tenham resultado. Do contrário, a empresa corre o risco de acabar vendendo a imagem inversa, e a opinião pública irá classificá-la como gananciosa, uma marca que, visando ao lucro acima de tudo, defende a bandeira que melhor convier.

Franciele Cavalheiro, ao dar sua versão como consumidora, se aproxima das considerações trazidas por Claudia. Ela afirma que o discurso ambiental das empresas de hoje, em sua opinião, é apenas um meio destas ganharem a simpatia das pessoas, mas não consegue citar o nome de uma organização que associe a um discurso social e ambientalmente consciente genuíno. Junto a isso, também, faz uma autoanálise do seu próprio comportamento na hora de comprar. “Eu não sou uma consumidora totalmente consciente, eu sei que muitos dos produtos importados que nós temos aqui vêm da China e esses objetos, essas roupas, provavelmente têm trabalho escravo envolvido. Isso não me impede de comprar. Mas se eu sei, se foi divulgado e é de conhecimento geral, eu deixo de comprar sim. Nunca mais comprei na Zara”, conta a estudante de administração, se referindo ao episódio de 2015 em que a grife internacional foi denunciada por ter trabalho escravo em sua linha de produção.

Assim, podemos notar que, embora seja a passos lentos, o Lowsumerism e o consumo consciente, vão se solidificando como um novo pilar de comportamento de consumo na atualidade. Vemos isso não apenas nos boicotes a empresas que não seguem políticas socioambientais aceitáveis, mas também na forma como as organizações vêm mostrando preocupação em adotar essas medidas. Isso não significa que elas tenham interesse apenas em gerar uma repercussão positiva em torno do seu nome, mas que estão inseridas e são atores em uma sociedade que está em pleno desenvolvimento de uma cultura global sustentável.

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