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julho/2021 | Notícias

Lives na pandemia da Covid-19: uma nova estratégia de marketing

Entrevista com Rodolfo Mohr, especialista em conteúdo e parcerias na SOKO, antigo Broadcaster da Brahma no DrafLine Brasil, agência in house da Ambev

Rodolfo Mohr, especialista em conteúdo e parcerias na SOKO, antigo Broadcaster da Brahma no DraftLine Brasil, agência in house da Ambev, concedeu uma entrevista para as alunas Ana Luiza Sperotto, Lívia Teixeira e Pietra Schuh em junho. A entrevista foi realizada via Zoom. Com o início da pandemia da Covid-19, as lives musicais ganharam destaque como uma forma de entretenimento e arrecadação de doações para as vítimas da doença.

Pandemia da Covid-19 e lives musicais

Com o início da pandemia da Covid-19 e os primeiros casos no Brasil, em março de 2020, a população brasileira precisou entrar em quarentena. Inicialmente, seriam 14 dias de isolamento social, mas, com o aumento dos casos e o negacionismo do governo, os dias em casa se estenderam além do esperado. Os eventos que contavam com grandes lotações foram cancelados e o setor do entretenimento fechou as portas para shows, festas e festivais. O impacto da pandemia foi tão grande que muitos prestadores de serviços de diversas áreas desse segmento perderam seus empregos e um dos maiores setores da economia brasileira perdeu a força.

Com isso, os organizadores de eventos e demais agentes de entretenimento precisaram pensar em outras formas de realizar esses trabalhos. Uma das estratégias que encontraram para a união com as marcas ocorreu por meio das lives nas plataformas digitais, como o YouTube e o Instagram. Estamos na era mais digital de todos os tempos, onde a maioria dos acontecimentos já estão presentes na internet. Lives já eram comuns, mas lives com o intuito de servir como forma de renda para grandes artistas e marcas virou a febre e o “rolê” mais esperado pelos espectadores.

Além de lives de música, gameplays e rodas de conversa ganharam espaço na vida de muitas pessoas, que descobriram hobbies diferentes durante o isolamento, incentivando que ficassem mais em casa. Afinal, o entretenimento estava na tela do celular ou do computador.

O impacto no setor do entretenimento

Rodolfo Mohr (foto: reprodução/arquivo pessoal)

Com o grande impacto da pandemia no setor de entretenimento, marcas, artistas e agências precisaram se reinventar para que pudessem se sustentar nesse momento tão difícil para todos. As discussões em torno do que era necessário ou não fizeram com que tudo voltado ao entretenimento e ao meio artístico parasse. Rodolfo observa que “o setor de entretenimento foi o primeiro a ser paralisado e, ao que tudo indica, será o último a ser retomado com plenitude. Estamos vendo uma série de discussões sobre como se regulamenta o entretenimento numa retomada do convívio social ainda regulado, inclusive como uma alternativa ao conjunto de eventos clandestinos que acontecem no Brasil todos os dias”.

A primeira super live que quebrou a internet

A primeira super live realizada foi a do cantor sertanejo Gusttavo Lima, com o patrocínio da Bohemia, também do grupo Ambev. Era uma grande novidade para todos, um dos maiores setores da música brasileira estava em festa com a produção, realizada na mansão do Embaixador (apelido dado pelos fãs) em Goiás. O cantor quebrou a internet ao realizar um show on-line de 5h chamado “Buteco em Casa”. O artista entrou na madrugada e chegou nos Trending Topics do Twitter. Foram arrecadados mais de R$100 mil e 50 toneladas de alimentos e insumos hospitalares para ajudar no combate ao coronavírus. A live foi bem vista por muitos na internet devido à interação do cantor com os internautas e às cem músicas cantadas.

Gusttavo Lima. Foto: Divulgação.

Gusttavo Lima (foto: divulgação)

Por trás de toda essa produção estava a Bohemia, como patrocinadora, e todo o seu time. Como responsável pelo setor de estratégia de influência digital da Ambev no território do futebol e sertanejo, Rodolfo Mohr presenciou de perto o início das lives. Ele nos contou que, devido à reviravolta que o mundo teve com a chegada do vírus, ele passou a atuar no maior circuito de lives do mundo em 2020. “Boa parte do entretenimento era coletivo e, na medida em que éramos obrigados a entrar em isolamento social e conviver com nosso núcleo familiar, ou com poucas pessoas, como eu, que passei boa parte da pandemia sozinho, começamos a perceber que não é um luxo [o entretenimento], né? Acaba sendo um elemento importante para a sociabilidade, para a saúde mental,” reflete o especialista.

O novo modelo de entretenimento foi visto como uma estratégia para o marketing das marcas, que entravam como patrocinadoras, e também como uma forma de empregar trabalhadores que perderam seus empregos para a pandemia. Logo, os artistas estavam de volta, realizando shows para milhares de pessoas que antes não conseguiam ter acesso a esses espetáculos.

“Quando a gente viu a live do Gusttavo Lima, aquilo impactou o mercado inteiro! O Gusttavo Lima tem uma estrutura própria, pessoal, dentro da casa dele que ele conseguiu montar, que ninguém conseguia montar sozinho, ou quase ninguém montaria sozinho. E aquilo ali é uma coisa que eu penso até hoje, quem foi o cara, ou a menina, que falou numa reunião ‘cara, vamos fazer uma superlive aqui’, eu acho que essa pessoa mudou o ano de 2020 no entretenimento no Brasil, foi uma live assim que gerou muitas consequências positivas, algumas negativas, mas ela, de fato, é um marco”, afirma Mohr.

Sobre a produção, Rodolfo nos conta que “foi um desafio tecnológico, um desafio de produção muito grande, porque uma coisa é o Gusttavo Lima, que contratou [uma equipe], já deveria ter uma internet dedicada superboa na casa dele, que é aquele palácio, botou uma ou duas câmeras em casa, botou um drone. Era um diretor, um operador de switcher, um operador de câmera ou dois, um cara na mesa de áudio e ele. Era uma coisa muito pequena, mas que tinha muita qualidade.”

Uma nova forma de levar a vida

Com o cancelamento das agendas dos artistas, dos eventos de grande porte e dos festivais de diversos tipos de músicas, os artistas começaram a pensar em novas formas de se renovarem para que o que foi pensado se tornasse uma forma de sobrevivência em meio ao caos que estávamos vivendo. “Então, para os artistas, virou muito mais do que uma estratégia de marketing, virou a plataforma de sobrevivência no período de pandemia. Certamente alguns não sobreviveram, certamente outros nasceram, e tem ainda o time de artistas que tiveram que se reinventar, porque uma boa live não depende só de um grande repertório e de grandes artistas,” esclarece o entrevistado.

As lives se tornaram o centro do entretenimento para o público que assistia. Todos se preparavam para assistir aos shows de Marília Mendonça, Zé Neto e Cristiano, Bruno e Marrone, entre outros cantores sertanejos. Sem falar que diversos segmentos artísticos começaram a expandir seus trabalhos para o meio digital. Outras plataformas e mídias sociais ganharam destaque, como o Instagram e a Twitch.

Os shows e as apresentações salvaram a noite de muitas pessoas em isolamento, que se viam trancadas em casa sem ter para onde sair. “As lives são para as marcas, as lives são para os artistas, mas as lives são para o público. Teve um papel de indicador de sucesso dos artistas, de apelo do público por eles, mas a gente também tinha um termômetro do isolamento social. Os momentos de maior isolamento social no Brasil, se vocês forem pegar os números das entidades de saúde dos estados, são as maiores audiências nas lives. É direta a relação, quanto maior o isolamento, maior a audiência das lives. Então, serviu também como uma válvula de escape para as pessoas que estavam enclausuradas, foi algo muito importante para o conjunto da sociedade”, explica Rodolfo.

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