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julho/2015 | Artigos

Filhos da Famecos

Foto: Guilherme Testa.

No ano em que a Faculdade de Comunicação Social da PUCRS – mais conhecida como Famecos – completa 50 anos, contamos a história de alguns professores que lecionam na faculdade e, mais que isso, tiveram sua formação profissional nela. É válido deixar registrado que os entrevistados estudaram em diferentes anos e todos atualmente são professores na instituição. Vamos analisar o desenvolvimento e os avanços que a nossa querida Famecos teve ao longo de seus 50 anos.

Atualmente, lecionando as disciplinas de Introdução à Metodologia de Pesquisa em Comunicação (1º semestre em todas as habilitações de Comunicação Social) e Métodos de Pesquisa em Comunicação (6º semestre de Relações Públicas), a professora Maria Helena Castro de Oliveira, nem parece a mesma aluna famequiana de 1973 que “nunca pensava em ser professora”.

Diferentemente de como é hoje em dia, naquela época “não havia muitas oportunidades durante a graduação que não fossem estágios em agências, tanto que na PUCRS não havia laboratórios e nem Estágio Interno”. Conseguiu seu primeiro estágio mais adiante no curso, já no 5º semestre de Publicidade e Propaganda em uma agência, na área de pesquisa. Mesmo assim, Maria Helena sempre aproveitava todas as oportunidades, por mais escassas que fossem. A exemplo disso chegou a atuar como monitora em sala de aula, até que um dia surgiu a oportunidade: a professora eventualmente precisou viajar e a monitora da turma teve de assumir a aula. Segundo ela, foi um processo muito natural, já que estava acostumada com a turma e o método de ensino.

De personalidade pró-ativa e curiosa, através da pesquisa sobre leis, viu a necessidade de ter uma agência experimental na universidade. Deu o “pontapé inicial” no que hoje é o Espaço Experiência, apresentando inclusive seu projeto ao reitor. Queria que fossem atendidas as necessidades de comunicação da PUCRS, já que inicialmente apenas existia o “Centro de Informação” que hoje é a Ascom (Assessoria de Comunicação e Marketing da PUCRS).

Seu mestrado em educação possuía a temática “Por que ser professor?”, relatava justamente questões que ela ainda buscava respostas, por exemplo, sobre os motivos que a levaram passar de aluna à professora da Famecos. Além disso, também fez doutorado em Comunicação e lecionou na Unisinos. Sempre foi e ainda é muito atuante na PUCRS, desde sua graduação passava mais de um turno na instituição (trabalhou 12 anos na PRAC). Maria Helena atualmente também trabalha no Núcleo de Memória do Espaço Experiência, no Instituto de Cultura e nos cursos de Especialização e Extensão (Famecos +).

O professor Diego Wander foi contratado pelo curso de Relações Públicas no início do ano. Ele também é um legitimo filho da Famecos; ingressou em 2006 quando conseguiu uma bolsa, a sua intenção era migrar para o de Jornalismo após concluir o primeiro semestre, “só que ao longo das aulas, conhecendo com mais clareza as habilitações, me apaixonei por Relações Públicas e optei em avançar no curso”, conta. Diego sempre aproveitou os espaços que a faculdade oferecia. Nos primeiros semestres atuou no então Laboratório de Relações Públicas (LARP), que trabalhava com o assessoramento e o planejamento de comunicação em demandas da Faculdade. Já no terceiro semestre, surgiu a oportunidade de ser bolsista de iniciação científica, a convite da Prof.ª Cleusa Scroferneker. Com ela começou a se envolver com práticas de pesquisa acadêmica, o que o alertou sobre essa possibilidade de desenvolvimento e de carreira; participou de diversos congressos, e contribuiu com artigos que tratavam dos resultados de uma pesquisa sobre comunicação digital, no contexto das universidades brasileiras. Após essas experiências, decidiu redirecionar o plano da sua formação, no 5º semestre adiantou a disciplina de monografia para, ao final do curso, poder se dedicar à seleção de mestrado. Simultaneamente a tudo isso, nos semestres finais estagiou na empresa Trensurb durante oito meses, além de prestar serviços de freelancer na área de pesquisa de mercado. Sobre as impressões que tinha como aluno, o que mais lhe chamava a atenção era a afetividade dos docentes no modo de se relacionar com os alunos, e as possibilidades para além da sala de aula. Agora como docente, ele comenta que ainda não deu tempo para perceber muitas diferenças da época de aluno, “além das melhorias na infraestrutura e da maior aproximação entre academia e mercado”, concluiu. Hoje além do novo desafio que é a docência, também trabalha na Assessoria da Comunicação Corporativa da Rede Marista.

Silvana Sandini é formada em Comunicação Social com habilitação em Relações Públicas na Famecos no ano de 2003. Ingressou na faculdade aos 17 anos e afirma que seu perfil era imaturo na época, uma vez que não entendia a real responsabilidade social, termo bastante usado nas Relações Públicas, que a comunicação social representava na sociedade, mas ainda assim o fato de ter trabalhado desde cedo contribuiu para que seu olhar fosse diferente e possibilitasse o amadurecimento, sob a perspectiva tanto na sua vida social quanto na profissional. “Até o 3º semestre do curso eu não tinha certeza se era realmente a carreira que gostaria de seguir, mas a paixão desde cedo pela internet me mostrou o caminho”, disse. A Famecos contribuiu principalmente para a construção de sua identidade profissional, Silvana nunca imaginou que teria uma agência própria, porém teve a felicidade de conhecer um colega – hoje seu marido – que tinha interesses e gostos na comunicação semelhantes aos seus, e atualmente possuem a Agência RaioZ em sociedade.

Sandini acredita que a real importância da Famecos vai muito além de suas estruturas físicas e tecnológicas, é todo o conhecimento que é proporcionado através dos professores e também experiências de vida que motivam. Observa que o currículo antigamente era mais voltado para questões de outras áreas, como antropologia, filosofia, sociologia, um olhar mais humanista e social, já hoje tem um espaço muito voltado para o mercado. Quanto à estrutura, faz o comparativo de algumas ferramentas que em sua trajetória universitária eram diferentes das que temos atualmente na Famecos, entre elas o uso do retroprojetor hoje substituído pelo o datashow. “A questão de incentivo e motivação permanece a mesma, ainda são sentidas de forma clara a atenção e a dedicação que os professores têm com seus alunos”, destaca.

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