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maio/2009 | Artigos

Comunicação na Fronteira

As cidades de Santana do Livramento e Rivera constituem a conhecida “Fronteira da Paz”, assim chamada com muito orgulho pelos seus habitantes. O motivo em especial que releva o carinho pelas duas cidades é o fato delas serem separadas apenas por marcos divisórios que se estendem ao longo da divisa entre o Brasil e o Uruguai. O marco principal, o Obelisco, situa-se no Parque Internacional, um dos únicos parques do mundo que faz parte de dois países diferentes.

Tratando-se de uma mesma região entre duas nações com culturas diferentes, a fronteira de Livramento-Rivera serviu de inspiração para a criação da música “Fronteira Seca”, no Festival do Martin Fierro, um dos maiores festivais de músicas nativistas do estado do Rio Grande do Sul, com uma letra que mistura os dois idiomas, português e espanhol, e conta, no seu decorrer, o encanto de ser um cidadão fronteiriço.


Procurando fazer com que haja sempre uma maior interação na fronteira irmã-hermana, as diferenças existentes entre os dois povos são percebidas de maneira positiva, sem preconceito algum entre as duas culturas. Um exemplo, é a mistura dos cidadãos nos locais de trabalho, nas escolas, ou até mesmo nas próprias famílias, onde naturalmente acontecem casamentos entre as pessoas dos dois países, como é o caso do Sr. Wilson Muccia e da Sra. Solange Muccia, que são casados há 25 anos, ele uruguaio e ela brasileira. Por motivos como esses é que desde pequenos os cidadãos da fronteira se familiarizam com o idioma estrangeiro, com os costumes diferenciados, e aprendem a respeitar o país vizinho.


Em relação à parte cultural, os dois países utilizam de forma integrada as estruturas que proporcionam lazer aos seus moradores. Como por exemplo, o Cinema Internacional, situado em Livramento, possibilita a visita dos hermanos uruguaios para a apreciação dos filmes nacionais e internacionais. Já no outro lado da divisa, os castelhanos, como são chamados, possuem o Teatro Municipal de Rivera, que é muito bem estruturado e realiza com frequência espetáculos destinados aos diferentes tipos de públicos.


Durante a Semana Farroupilha existe uma integração das entidades tradicionalistas das duas cidades, que realizam no dia 20 de setembro um único desfile a cavalo, contando com aproximadamente 6 mil cavaleiros e amazonas. O desfile começa na Rua dos Andradas, em Livramento, e atravessa a Avenida Sarandi, em Rivera, caminho seguido por prendas e peões acompanhados de seus cavalos, onde são fortemente aplaudidos e festejados pelas pessoas que se deslocam até o centro das duas cidades para prestigiar este evento.


O jornal local de Livramento, A Platéia, é um forte exemplo de união entre as duas cidades, pois possui tanto uma parte em português, quanto uma em espanhol. As noticias são selecionadas de acordo com a demanda dos dois lugares, priorizando, tanto o público brasileiro, quanto o uruguaio. Na Televisão também é bem visível essa interação, pois na emissora uruguaia Red TV são divulgadas propagandas do comércio santanense, como por exemplo, o Supermercado Righi, Já a RBS tevê – Bagé apresenta diversas propagandas dos Free Shops e do comércio em geral, situados em Rivera.


É bem explicito em seu site essa necessidade de ver as duas cidades como uma só: “”Sant’Ana do Livramento e Rivera são uma só cidade. Caminham juntas ao longo da história, e precisam perceber que nas causas de muitas de suas deficiências são praticamente as mesmas””.


Segundo Bruna Postiglione Wetternick, jornalista do jornal A Platéia, é necessário que as duas cidades sejam vistas como uma só, para que a comunicação seja eficiente e permita um maior alcance da informação aos seus receptores. Mesmo com as inúmeras diferenças existentes, é preciso uma conscientização de todos os envolvidos, buscando uma comunicação integrada e eficaz, onde as especificidades de cada país, que são integradas numa fronteira seca, em que não existe barreiras e nem restrições de mobilidade, que unidas formam uma identidade: a do ser fronteiriço, formada por cidadãos brasileiros e uruguaios que possuem relações culturais, biológicas (doble-chapas), idiomáticas (portunhol), histórica e geográfica muito estreitas. E por esse motivo, é considerada uma fronteira diferente das demais, por ter as características de ser pacífica e irmã, como se fossem dois bairros em uma só cidade, onde “gaúchos” e “gauchos” compartilham o mesmo chimarrão, vibram por seus heróis e formam sua própria cultura.

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