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julho/2021 | Artigos

Brumadinho: acidente (in)esperado?

O acidente de Brumadinho gerou controvérsias quanto ao fato de ter sido ou não um acidente

Lama da barragem de Brumadinho, vista aérea
Cena aérea do momento do rompimento da barragem de Brumadinho e a propagação da lama nos arredores (foto: Reprodução/TV Globo)

A tragédia

A cidade de Brumadinho (MG) foi o local do acidente de rompimento da barragem de dejeitos de minério, de responsabilidade da empresa Vale S.A. O acidente ocorreu dia 25 de janeiro de 2019, ocasionando 259 mortes e 11 desaparecimentos. Além de danos irreversíveis para as centenas de famílias residentes na região, ocasionou destruição ambiental, como a degradação do solo, do rio Paraopeba e seus afluentes, bem como da fauna da região. A mineradora teve que arcar com as consequências dos seus atos, desembolsando um total de R$ 28,8 bilhões.

Antes do desastre, a empresa já havia sofrido com o rompimento da barragem de Mariana, situação que também causou grandes impactos ao meio ambiente, sendo considerado um dos maiores desastres do mundo. A lama afetou a bacia hidrográfica de Rio Doce, impossibilitando a distribuição de água para mais de 230 municípios. Ainda assim, a barragem de Mariana não resultou em mortes, tornando-se um desastre menor do que o ocorrido posteriormente, em Brumandinho.

A barragem

O engenheiro ambiental Arthur Tschiedel nos explicou, em entrevista, que a Vale utilizou um método de ampliação da barragem chamado de alteamento a montante, que possui o menor custo se comparado às outras maneiras de aumento. Nesse formato, a barragem vai sendo ampliada com a construção de camadas de concreto, de dentro para fora. O índice de rompimentos desse tipo de barragem é muito baixa, mas, ainda assim, este método está associado à maioria dos casos.

Tschiedel também relatou que são feitas monitorias anuais, para avaliar as condições da barragem. A última havia sido feita há alguns meses antes do rompimento, quando não foram relatados riscos de rompimento. Embora a barragem de Mariana tenha rompido pouco tempo antes, a Vale permaneceu com as mesmas medidas de prevenção já praticadas pela empresa.

As iniciativas da Vale

Após o desastre, a Vale se comprometeu em fazer o máximo possível para reparar os danos que a empresa causou. No período do desastre, Eduardo Bartolomeu, diretor-presidente da companhia, afirmou para a imprensa que “A Vale permanece firme em seus propósitos: reparar integralmente Brumadinho e garantir a segurança de nossas pessoas e ativos.” Após, a empresa adotou medidas de cuidado para auxiliar as vítimas e as famílias afetadas, como, por exemplo, o auxílio financeiro para aproximadamente 106 mil famílias que moram em Brumadinho e ao redor do rio Paraopeba. A companhia também criou a Diretoria Especial de Reparação e Desenvolvimento, para dar seguimento em todos os trabalhos referentes à Brumadinho. No site da Vale há uma aba para a comunicação da empresa com o público, onde são postados comunicados de forma clara e detalhada, para que todos possam analisar o que está sendo feito.

Embora o posicionamento com o público seja de manter a transparência sobre as atitudes que a empresa vem tomando para reparar os danos da tragédia, não foi possível ter contato com os engenheiros que atuam diretamente na Vale, pois eles são impedidos de comentar a respeito do desastre.

Em síntese, é percebido que a companhia assumiu a culpa e fez o possível para tentar diminuir os danos causados. Mas, sabendo que o método de ampliação de barragens é o menos seguro, a dúvida que fica é: será que o acidente não poderia ter sido evitado?

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