Foto: Equipe Honk! Poa
Foto: Equipe Honk! POA

Nos dias 24, 25 e 26 de maio ocorreu a primeira edição do Honk! em Porto Alegre. O Honk! é um evento mundial estadunidense, que acontece no Brasil desde 2017. No país ele já ocorre no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. A edição de Porto Alegre foi realizada no Centro Histórico da cidade, na Orla do Guaíba e, simultaneamente, nas comunidades do Areal da Baronesa, da Vila Planetário e do Morro Santana. A festividade celebra a cultura de rua, mais especificamente a fanfarra, com atividades multiculturais e contou com apresentações de inúmeras bandas de várias partes do Brasil. O Identidade RP entrevistou Carólis Pizzato, voluntária, produtora e artista da banda “Bate e Sopra”. Na entrevista, ela destaca como os processos de produção, os espaços utilizados, a equipe e o público participante foram peças-chave para o sucesso do evento.

Conhecido mundialmente por utilizar uma estrutura móvel e instrumentos acústicos, na pegada da fanfarra – como sopros e percussões – o Honk! é um evento conhecido por seu engaje social, político e cultural. A intenção principal do projeto é se apresentar gratuitamente em espaços públicos da forma mais acessível possível. Ao não utilizar amplificadores, palcos complexos ou separações físicas, o evento deixa evidente que o objetivo não é tocar para o público, mas entre o público, convidando assim os participantes a fazerem parte da atração. Esse é o propósito do Honk!, construir o festival através da colaboração de todos. Para a entrevistada: “além de aquecer nossos corações, nos deixou com um sentimento de dever cumprido.”

Os organizadores também tiveram o cuidado prévio de abrir diálogo com os atores estratégicos de cada região, para aproximar o evento das comunidades participantes. A ação possibilitou que atividades diferenciadas fossem criadas, que fosse movimentada a arte e a economia local e que o Honk! fosse um integrante dos espaços ao invés de uma mera atração.

Para a construção do cronograma de apresentações, foi necessário que os artistas se inscrevessem através da internet. O evento contou com bandas de diversas cidades do Brasil como Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília e com o conjunto internacional ‘Fanfare 3Francs6Sous’ da França. Também promoveu ações afirmativas por meio de shows musicais, rodas de conversa, peças teatrais, experiências recreativas e declamações poéticas, demonstrando parte das multifacetadas identidades culturais que nosso país apresenta e convidando todos os públicos a construir novas reflexões sobre os espaços que utilizamos, o respeito que devemos ter por outros tipos de preferência artística e o lugar de fala específico a cada um de nós.

Outro destaque do Honk! foi a importância dada a questões culturais referentes às minorias. Como exemplo de que o evento deu oportunidades a temas não comumente tratados na sociedade atual, temos a apresentação do Museu do Percurso Negro de Porto Alegre, projeto que busca visibilizar a comunidade afro-brasileira através da apresentação de obras de arte em espaços públicos da cidade. De acordo com nossa entrevistada, “a criação do Museu do Percurso Negro foi um grande trabalho do movimento negro na cidade. Sua inclusão no evento, junto a intervenções artísticas, procurou apresentar essa rica história, tanto para o público local quanto aqueles de fora da cidade.”

O festival que celebra a cultura de rua e oportuniza debates relevantes à sociedade – como a mulher na música e o papel predisposto a ela como somente instrumentista – pretende elucidar o público quanto à definição de fanfarra e de conectar culturas relevantes a diferentes espaços da região. Para Carólis, os valores propostos pelo Honk! superam não só a ideia de fanfarra, como também a noção de cultura. “A gente espera que esses assuntos sejam levados em consideração no próximo Honk!. Que o evento se transforme para algo além do fanfarrismo ativista. Que tenhamos conseguindo abrir um portal para outros debates”, refletiu a voluntária.

Promovendo uma programação em centros culturais descentralizados, com ações que perdurem o ano todo até a próxima edição, a educação não formal estruturada para o evento almeja o crescimento de seus espectadores como cidadãos e tenta focar na construção de identidades culturais diversificadas, plurais, com caras de Brasis.