julho/2015 | Artigos

Assessoria de imprensa: quem faz?

No Brasil, a assessoria de imprensa é realizada por profissionais com formação em jornalismo ou relações públicas. Em outros países a função não é necessariamente realizada por jornalistas e pode ser feita por um profissional de relações públicas ou alguém com formação em comunicação.

Ivy Lee foi um jornalista que resolveu deixar a profissão de lado para fundar o primeiro escritório de Assessoria de Comunicação, nos Estados Unidos, há mais de 100 anos. Lee também é considerado por muitos como o fundador das Relações Públicas modernas e quem teria “inventado” essa função de assessoria de imprensa. Mudou sua profissão com o objetivo de recuperar a credibilidade perdida pelo poderoso empresário John D. Rockfeller, que não media esforços atrás do lucro fácil que o monopólio acabava gerando, era acusado de ser impiedoso, sanguinário e feroz. O serviço que o escritório de Lee prestou a Rockfeller foi de transformar a imagem de odiado a venerado pela opinião pública. Comunicou-se com agilidade e transparência, modificando a imagem perante a imprensa daquela época.

Uma assessoria de imprensa trabalha para um assessorado, podendo ser um cliente em particular (pessoas físicas, como advogados, médicos, celebridades, etc.), uma organização ou instituição (governo, sindicatos, ONGS, clubes, etc.). Mas quem seria o profissional mais indicado a exercer essa profissão? Para esclarecer essa dúvida, confira abaixo a entrevista realizada com dois profissionais, da área de Relações Públicas e Jornalismo.

Fernando Rogério Kloeckner Noronha, possui graduação de Comunicação Social Relações Públicas, pela UFRGS (1992). Atualmente é Assistente de Gestão da Empresa TRENSURB, Coordenador de área do DAER e atua como Auxiliar de ensino da ULBRA.

Quem pode ministrar a cadeira de assessoria de imprensa? E por quê?

Depois de 15 anos de magistério superior na área de comunicação, com disciplina exatamente neste assunto, e mais de 20 anos como coordenador de comunicação de cinco organizações de nível federal e estadual, acredito que o melhor profissional seja aquele que alia sólida formação acadêmica na habilitação de Relações Públicas e a experiência no trato com os veículos de comunicação e seus profissionais. Destaque-se que, geralmente há uma tendência a confundir assessoria de imprensa com jornalismo empresarial e, por isso, eventualmente, há conflito. Porém, há que se destacar que, no exercício do cotidiano da assessoria de imprensa, conheci, tanto jornalistas, quanto relações-públicas com excelente expertise e resultados positivos para a organização que atendiam. O melhor sempre será o mais capacitado e, muitas vezes, isso não depende exclusivamente da academia, consequentemente do docente.

Quais as principais características de um profissional de assessoria de imprensa? 

Em minha opinião, um bom assessor de imprensa, em primeiro, deve conhecer a organização detalhadamente e entender que ele está junto a ela. Ele deve mediar o relacionamento da organização com a imprensa, tal como a organização deve fazê-lo com todos os demais segmentos de público e, é por isso, que coloco o egresso de curso de Relações Públicas como aquele que, saído da academia (se bem preparado) deverá estar em melhores condições do que qualquer outro graduado. Por este motivo, entendo que ele aprendeu as questões estratégicas da assessoria de imprensa, no contexto da organização. Deve entender as questões referentes à Opinião Pública, dominar com excelência a redação, conhecer os veículos e entender cada peculiaridade de cada meio e de suas rotinas. Deve se preocupar em atender bem e a qualquer hora do dia ou noite, dependendo da organização em que atue – estar disponível é exigível. Deve ser objetivo e claro, tanto em sua expressão oral, quanto escrita e compreender que ele é o viabilizador do acesso às fontes da organização – não é porta-voz, pois o jornalista deseja falar com quem tem legitimidade técnica sobre a pauta requerida.

O profissional de Relações Públicas é o mais indicado e preparado para desempenhar a função? 

Academicamente falando é sim o Relações Públicas, a partir dos conteúdos programáticos que conheço, uma vez que, salvo honrosas exceções os cursos de jornalismo preparam predominantemente seus alunos para o exercício do fazer jornalístico, enquanto que a assessoria segue como uma alternativa profissional. Já o aluno de RP é preparado em relacionamentos organizacionais, é a coluna vertebral de sua formação. Por fim, gostaria de frisar que lamento mais esta disputa que ocorre na área. Todas as habilitações são complementares e funcionarão melhor se unidas e ganham às organizações e profissionais que valer-se de expertises múltiplas e de profissionais preocupados com a organização, seus relacionamentos e grupos sociais em que estão inevitavelmente inseridos.

Rodrigo Rupp Guerin, possui graduação de Jornalismo, pela ULBRA (2009), atualmente é acadêmico de Marketing na ULBRA. Já atuou como repórter de televisão, de jornal e como assessor de imprensa de órgão público do terceiro setor. Atualmente atua como assessor de imprensa da ULBRA.

De acordo com o que estudou e sua formação, qual sua opinião sobre o melhor profissional para ministrar a cadeira de Assessoria de Imprensa?

Acredito que o profissional de comunicação moderno, deve estar alinhado com todas as áreas: Jornalismo, Relações Públicas, Publicidade e Propaganda e também o Marketing, que busca interagir diretamente com o público de interesse do assessorado. O melhor profissional é aquele que agrega a experiência profissional juntamente com as necessidades e tendências do mercado.

Você acredita que os profissionais de Relações Públicas e Jornalismo teriam um melhor desempenho da função de assessoria, se trabalhassem juntos? Há uma disputa entre esses profissionais?

Nunca presenciei uma disputa desses profissionais. Nas assessorias onde atuei, todos da área de comunicação trabalhavam em equipe e acho isso fundamental. A comunicação deve integrar todas as áreas, deve unir e explorar a potencialidade de cada profissional. Não existe comunicação de maneira isolada. Uma boa assessoria de comunicação deve ser como um arquipélago, cada um contribuindo com seu talento em prol do assessorado.

Quais as principais características de um profissional de assessoria de imprensa?

Ser curioso, ser metido, ser corajoso, pensar diferente, estar sempre disposto a cavar uma brecha, uma oportunidade. Comunicador preguiçoso não serve para assessoria. O profissional deve estar sempre atualizado, buscando uma boa relação com os veículos e com o assessorado. No caso de assessoria para uma empresa, deve entender os objetivos da empresa e se aproximar dos veículos de interesse. Ser um pouco megalomaníaco também ajuda.

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