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junho/2016 | Notícias

Ainda há amor nas ruas da Capital

Uma intervenção literária em Porto Alegre

A banda porto-alegrense Lítera encontrou uma forma inusitada para divulgar o lançamento de seu segundo disco, chamado Caso Real. Foram espalhados diversos cartazes e adesivos pelas ruas da capital com frases poéticas. Entre elas, “Nada mais digo senão sou teu”, “Para quem com amor me prende e por amor é presa” e a mais famosa, “Você já viveu um amor impossível?”.

LITERA

A ação, além de ser criativa, despertou o interesse e a curiosidade das pessoas que se deparavam com o projeto. O grupo, formado por André Neto, James Pugens, Rodrigo Bonjour, Fernando Spillari e Fred Bessa, está causando grande mobilização na internet, com diversas fotos postadas das frases nas redes sociais, através das hashtags #CasoReal e #EscuteLitera.

As músicas do novo disco são inspiradas nas cartas trocadas entre os amantes Dom Pedro I e a Marquesa de Santos no século XIX, durante o Primeiro Império. O romance entre os dois durou sete anos, mas só foi confirmada a existência destas correspondências anos depois. Martina Mombelli, assessora de comunicação da banda, explica como surgiu a ideia: “Num fim de tarde, tomando um café por Porto Alegre, o André comentou que na Itália, durante um bom tempo, por não poderem se ver – com alguma restrição da família (em casos de casamento arranjado, por exemplo) ou julgamento da própria sociedade – as pessoas escreviam ou colavam bilhetes na parede para os seus amores/amantes. Eles nunca iriam ficar juntos, mas acabaram encontrando essa forma de se comunicar. Através da imigração, esse ‘ritual’ acabou vindo parar aqui no Brasil. Como as meninas só saíam de casa para ir a missa – e sempre acompanhadas, pela mãe ou por serviçais – os apaixonados ou pretendentes deixavam recados escritos pelas paredes, colados pelo caminho que elas iriam passar. Tinham que ser mensagens rápidas, para que lessem na passagem, caminhando.”

Um grande paradoxo que vivemos nos dias atuais é o fato de possuirmos acesso a diversos meios de comunicação instantâneos, que causam uma enorme facilidade na transmissão de informações. Mas, ao mesmo tempo em que nos aproxima das pessoas, nos afasta do contato pessoal. Segundo Martina, “[…] Vimos o quanto é fácil, atualmente, falar dos nossos sentimentos para outra pessoa; porém, isso serve apenas para quem tem uma posição social economicamente boa, uma cor que não seja discriminada e um relacionamento com o gênero contrário do seu. Quem atende a todos esses requisitos pode namorar, ligar, mandar mensagem, andar de mão dada, beijar em público – caso contrário, sofre com uma comunicação limitada como na época lá próxima da Renascença. Falando assim até parece que estamos discutindo sobre uma minoria, mas não é verdade. São muitas as pessoas que não estão incluídas nesse protocolo de relacionamento.”

Por esta solidão presente em nossos contatos, sejam eles virtuais ou pessoais, a Lítera sentiu a necessidade de “conversar com a rua” ainda mais. Foi então que colocaram uma cadeira no centro de Porto Alegre, onde pessoas aleatórias chegavam despretensiosamente para contar seus casos reais de amores impossíveis. “Essa ação nos mostrou que temos uma enorme carência de contato humano, de encostar no outro, de dizer palavras, de desabafar”, conta a assessora.” Tais histórias foram filmadas e publicadas no canal do Youtube da banda.

A proximidade da banda com o público fez com que não houvesse mais um controle do número exato de stickers colados pelas ruas, nem de fotos postadas nas redes sociais, devido ao enorme sucesso do projeto que mexeu com o imaginário destas pessoas. Também são enviados envelopes com os adesivos para todo o Brasil, propagando ainda mais a iniciativa.

A sensação que a banda quis passar através das colagens são perguntas inquietantes que fazemos para nós mesmos, e ansiamos pela resposta sem possibilidade de retorno. “Quem está dizendo isso? Para quem é? Quem precisa urgentemente ler isso? Quem precisa desesperadamente falar isso para alguém a ponto de colocar essa carta aqui nessa parede?”, sugere Mombelli. Estes questionamentos nos fazem ter empatia com os amores alheios, pois todos nós já vivemos um romance platônico.

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