Estudantes relatam que ao iniciar a faculdade os sentimentos de euforia, curiosidade e autorrealização dão lugar para ansiedade e baixa autoestima, além alterações no sono e no humor.  Os que já estão cursando o ensino superior afirmam ainda que a pressão para “se formar logo” e a falta de empatia de alguns professores são fatores adicionais a lista de sentimentos. 

Em 2018, um estudo do Instituto para Pesquisa de Políticas Públicas (IPPR), do Reino Unido, registrou números alarmantes de universitários afetados por problemas de saúde mental. Aproximadamente 6% dos estudantes confirmaram ter pensado seriamente em suicídio.

Ao fazer uma breve busca no Facebook, encontramos universitários de todo o país relatando o quanto a vida universitária não tem sido uma fase mentalmente saudável. Há relatos sobre o esforço por uma nota maior, um estágio melhor, como conciliar as múltiplas jornadas e diversos casos onde a solução era a privação do sono. Para a profissional Marcele, psicóloga com mais de 10 anos de experiência na área, a doutrina de muitos professores se baseia no medo e isso não respeita as singularidades de cada indivíduo, pois os alunos deveriam  ser analisados de forma individual, com o seu desempenho no dia a dia, com sua participação, com trabalhos, pois não são todos que conseguem lidar com a tensão que uma prova gera.

Em entrevista para estudantes da UFRJ, Ângela Santos, psicóloga e diretora adjunta da Divisão de Psicologia Aplicada (DPA) do Instituto de Psicologia (IP), sugere o maior convívio entre as pessoas na universidade como forma de acolhimento. “Precisamos estar mais junto das pessoas. Às vezes você está do meu lado e eu não sei que você está sofrendo. Por isso, a universidade precisa proporcionar mais encontros de lazer, conversas, oficinas entre as pessoas. Essas também são formas de acolher o colega que muitas vezes pode estar em processo de adoecimento”, observa a diretora.

Autores da área comportamental propõem que mais intervenções assistenciais deveriam ser promovidas pelas instituições de ensino, tal como o treino de habilidades sociais ou uma maior preparação para a transição da fase universitária para o mercado de trabalho. Universidades como UNICAMP, UFRGS e PUCRS já oferecem opções como meditação e atendimento psicológico com o intuito de diminuir o estresse dos alunos. Nos últimos 10 anos a procura de universitários por amparo psicológico cresceu cinco vezes. 

Para os estudantes da PUCRS que sentirem necessidade de apoio psicológico o Centro de Atenção Psicossocial (CAP) fornece atendimento gratuito. Além disso, há a sala de Meditação localizada no prédio 15, que está à disposição da comunidade universitária para práticas individuais de segunda a sexta-feira, das 7h30min às 21h30min.