Nuvem de Palavras

 Foto: Nicole Flores

A nossa língua nativa tem se apropriado de muitas expressões originárias do inglês, essa adoção se dá no nosso cotidiano e no ambiente profissional. Em 1928, Oswald Andrade já havia levantado o seguinte questionamento: “tupi or not tupi: that’s the question”, trazendo dúvidas do porque os brasileiros utilizavam palavras de outras línguas. Também temos a lei PL 1676 apresentada em 1999, que dispõe sobre a promoção, a proteção, a defesa e o uso da Língua Portuguesa, além de outras providências, como a restrição ao uso de palavra em Língua Estrangeira ou “estrangeirismo”.

Além das expressões adotadas na fonologia, temos exemplos diários de palavras escritas já incorporadas à nossa língua, como shopping center, scanner, marketing, entre outras. Alguns podem achar cool e outros necessitam usar colocações no mundo business, mas será que temos um objetivo para essa apropriação? O Professor Bernardo Bueno, que ministra a disciplina de Escrita Criativa, promovida pela Escola de Humanidades, acredita em dois motivos: “o primeiro por ser no sentido de legal, bacana, popular e ligado com tendências mundiais, o outro é por ver o estrangeirismo como um atalho, que resume uma ideia em português que seria mais complicada, ou uma grande palavra que pode ser resumida por uma palavra inglesa de menor tamanho”. Pelos dois pontos de vista, afirma o docente, o uso de termos são bons, em razão do contato com diversas culturas e acesso a músicas, filmes e séries americanas que influenciam culturalmente no Brasil. O professor acredita que a língua portuguesa é rica e essa apropriação não se dá por falta ou lacuna da nossa língua, e sim por facilidades e influência social, pois o nosso idioma é riquíssimo.

O estrangeirismo não é visto como uma novidade, pois antes de termos essa influência linguística do inglês, já nos apropriávamos do francês e do latim. Essa apropriação pode ser entendida como uma ocorrência em todas as línguas. A adoção desses estilos não pode chegar a um extremo ou até mesmo ao exagero, para que não haja uma desvalorização do nosso dialeto, pois o excesso pode alcançar um ponto preocupante. Atualmente percebemos uma grande conexão das áreas de comunicação e negócios com a língua americana, as expressões são citadas a todo momento, havendo conexão entre esses públicos e a língua. O novo vocabulário é absorvido e utilizado no dia a dia, como se fosse uma grande mistura linguística de português e inglês. O diálogo com outras línguas não deve ser censurado ou visto como algo ruim, mas sempre devemos refletir sobre o uso, e pensar também na adoção e desenvolvimento de outros idiomas.

Acredita-se que o estrangeirismo já é padrão e faz parte da nossa cultura. O momento atual é de grande crescimento desse fato, as organizações e universidades estão investindo fortemente na internacionalização, inclusive deixando os indivíduos mais confortáveis para falar e escrever em inglês. Come on guys, let’s speak English!