novembro/2008 | Profissionais

A Comunicação Interna de Lauren Aita

Lauren AitaLauren Aita, formada em Relações Públicas em 2007, conta ao site RRPP Atualidades, como é ser recém-formada na profissão. Hoje, ela trabalha com a comunicação interna da Paquetá e recentemente ganhou o segundo lugar do Prêmio ABRP 2008.

1) Quando você era universitária, acabou tendo receios se Relações Públicas era realmente a área que queria seguir? Se sim, por quais razões?

Na realidade não… O mais difícil para mim foi saber que o que eu queria seguir era Relações Públicas. Lembro que no último ano do colégio não tinha idéia do que faria no vestibular, então fiz aqueles programas de orientação profissional. Durante esse processo, além de todos os testes, tive que fazer várias pesquisas e entrevistas com profissionais. Na época, até fui na PUC e conversei com alguns professores – o que foi bem importante! Então decidi por Relações Públicas e por Administração. E cursar as duas faculdades também ajudou a consolidar esta convicção. Pude ‘trocar’ muito entre os dois cursos e, especialmente, o conhecimento de gestão me ajudou a ter mais clareza e a ver um grande potencial para RP.

2) No decorrer do curso, você tinha dúvidas referentes ao que o relações-públicas fazia?

Claro! Mas acho que isso é normal… Afinal, faz parte do próprio processo de ‘conhecer’. A medida que a gente vai avançando, tendo mais contato com a teoria e com o mercado, pode ir ‘construindo’ um conceito. No meu caso, isso foi um pouco mais demorado porque, como comecei a faculdade em 2001, ainda cursei o currículo antigo – em que os três primeiros semestres eram um básico para RP, PP e Jornal. Então, demorei um pouco para fazer várias cadeiras específicas de RP, mas perguntava muito, pesquisava bastante e o estágio também complementou.

3) A partir de que momento as áreas de atuação do profissional de RRPP começaram a ficar mais claras pra você?

Sem dúvida, o ‘divisor de águas’ para mim foi a cadeira de Comunicação Organizacional com a Cleusa. Lembro também que, nesta mesma época tivemos, um Seminário Internacional sediado na PUC. Além de assistir às conferências e palestras, participei como ouvinte de vários GTs. Aquilo foi transformador! O nível das discussões era inspirador e os trabalhos de mestrado e doutorado apresentados foram um ótimo referencial. A partir daí tudo foi ficando mais concreto pra mim.

4) Você participou dos laboratórios da faculdade? Acha que conseguiu adquirir experiência o suficiente diante do mercado de trabalho?

Participei do Larp por um semestre. Foi logo que retomei a faculdade, depois de ter trancado por dois anos para morar no exterior. Como tinha ficado todo esse tempo afastada do curso e do mercado, o Larp foi ótimo para retomar os conceitos e me reaproximar da prática profissional. Além disso, a experiência também foi muito boa pela oportunidade de planejar e desenvolver projetos. Essa é uma ótima opção que os laboratórios oferecem, porque nos estágios em empresa/agência normalmente as atividades ficam restritas ao operacional. Então, mesmo tendo feito três anos de estágios antes de viajar, o Larp acrescentou bastante e foi um aprendizado que me deu impulso para retornar ao mercado.

5) Com o diploma nas mãos, foi difícil conseguir emprego?

Não foi difícil… Mas foi conseqüência de toda uma trajetória que construí ao longo do curso. Fazendo um trabalho efetivo e consistente, com certeza, a gente se estabelece! Hoje tenho uma Consultoria em Comunicação e Educação em parceria com uma Pedagoga – que, por sinal, foi minha primeira chefe lá em 2001. Nosso principal projeto é a Comunicação Interna do segmento de varejo da Paquetá, nas regiões Sul e Sudeste.

6) Como começou a trabalhar com comunicação interna?

Na realidade, comecei em Comunicação Interna por acaso. Minha idéia era conhecer as diferentes áreas durante o curso. Quando estava terminando o primeiro semestre, fui para os classificados, mas a única vaga que encontrei pedia 5º semestre. Queria tanto começar que convenci todo mundo… Consegui a vaga e comecei na Paquetá, em Comunicação Interna. Depois de dois anos na área, tentei voltar para o objetivo inicial e fui fazer estágio na Escala. Trabalhei um ano fazendo coordenação de pauta na Criação. Completamente fora da área, mas uma experiência fundamental, que me permitiu conhecer todos os processos de agência. Depois, morei fora e na volta fiz o Larp. E aí já estava tudo claro… Voltei para Comunicação Interna! Trabalhei até me formar na Inside Direct, atendendo a Yara Brasil. E agora sigo, em Comunicação Interna, de volta para a Paquetá. Não por acaso e aliando conhecimentos de Relações Públicas e Administração – o que é fundamental para uma gestão estratégica na área.

7) Hoje, o que necessariamente você faz no seu campo de trabalho?

De uma forma bem sintética? Exatamente aquilo que se vê em teoria: trabalho na mediação da relação da empresa com seu público interno, com o objetivo de garantir a compreensão e a adesão desse público interno à estratégia organizacional e sustentar internamente a reputação da marca. E isso se dá de diversas formas: na gestão dos canais e ferramentas de comunicação interna (jornal, intranet, espaços de comunicação face-a-face etc), campanhas e ações de incentivo e/ou valorização dos colaboradores, na organização dos eventos, em ouvidorias internas com grupos focais, com diagnóstico e assessoramento às lideranças e em diversos projetos que decorrem daí.

8) Você consegue unir toda a teoria compreendida com a prática na profissão?

Com certeza – e isso é fundamental! A prática profissional é a aplicação permanente de teoria. E, para mim, é importante ter claro que quando se valoriza a prática, isto não pode ser confundido com ter que ‘aprender na prática’. O que se quer com esta indicação durante a formação é ‘colocar em prática’ ou ‘vivenciar na prática’, para inclusive ‘melhor significar’ os conceitos, que foram teoricamente apreendidos. Portanto, esses dois elementos são indissociáveis.

9) Sabemos que recentemente a sua monografia concorreu ao Prêmio ABRP 2008. Qual foi a sua sensação perante isso?

Minha mono ficou em segundo lugar na categoria Valorização da Profissão e, para mim, o reconhecimento nacional foi o mais legal! Mesmo desafiando alguns paradigmas, ter o trabalho valorizado em um fórum de Relações Públicas, foi muito gratificante. Especialmente, porque trouxe muitos elementos da Administração, em uma tentativa de encontrar “medida” para os aspectos mais intangíveis das organizações – suas relações. Durante a cerimônia de premiação que foi em São Paulo, no dia 28 de outubro, fiquei ainda mais feliz, porque a palestra da noite foi com o professor da ECA-USP Mitsuru Yanaze – do Centro de Estudos de Avaliação e Mensuração de Comunicação e Marketing – que valorizou muito o tema. O título da minha mono é Quanto vale Relações Públicas? Estudo exploratório acerca da mensuração em Relações Públicas a partir do Balanced Scorecard e o meu orientador foi o Simões!

10) Qual recado você deixaria para os estudantes de Relações Públicas que se consideram ‘perdidos’ ainda no curso?

Move!!! Pergunte, pesquise, questione, estude, converse, observe, investigue, entreviste, busque… Porque as respostas não virão até você!

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