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maio/2014 | Notícias

A Cidade Baixa outra vez em alta

Como a associação “Cidade Baixa em alta” renovou a imagem do bairro e encheu suas ruas outra vez

Foto: Felipe Vargas.

No final de 2011, um dos bairros conhecidos como berço da boemia porto alegrense encontrava-se em crise. Moradores descontentes com a sujeira das ruas e com o barulho após o horário permitido entravam em conflito com comerciantes e frequentadores do bairro em uma disputa que parecia não levar a lugar algum.

Como resultado do crescimento dessas tensões, diversos bares foram fechados e, consequentemente, as ruas da antes efervescente Cidade Baixa se encontraram vazias. O bairro que outrora fora referência social e cultural, frequentado por gênios como Lupicínio Rodrigues, começava a perder espaço para outras opções de entretenimento em novos locais espalhados pela cidade.

Como conciliar todos os públicos para uma convivência saudável? Como trazer de volta a essência de um dos mais populares pontos de encontro dos jovens de Porto Alegre? Como renovar a imagem de um bairro e deixar suas ruas cheias outra vez? Com essas questões em mente, em uma tarde daquele mesmo ano, o publicitário Tiago Faccio, 34 anos, percebeu que era preciso deixar de lado as reclamações e tomar uma atitude para “salvar” a Cidade Baixa.

Depois de algumas conversas e com o apoio de comerciantes locais surgia então a “Cidade Baixa em alta”, uma associação que visava resgatar o espírito alegre e cultural do bairro. Em entrevista, Tiago nos conta que, de fato, quando a associação foi criada, não era esperada tamanha repercussão e em tão pouco tempo. Morador do bairro desde a infância, ele acompanhou todas as transformações do lugar e a ascensão enquanto pólo cultural e de entretenimento da cidade e diante dos eventos ocorridos temeu que a Cidade Baixa seguisse os passos de outro bairro que já foi referência culturalmente, o Bom Fim, que nos anos 80 era um dos centros de entretenimento da cidade e, após o fechamento de estabelecimentos e queixas dos moradores, perdeu espaço e preferência de bares e casas noturnas.

“Para evitar o mesmo desfecho, a ideia inicial da associação era repovoar o bairro e acabar com a falta de diálogo entre moradores e comerciantes, mas logo se percebeu que o projeto iria além”, revela o publicitrário. Com uma ajuda de custo dos novos associados, a primeira ação foi a divulgação e distribuição de um “Manual de boa convivência”, buscando fazer com que o projeto fosse um catalisador das relações entre os públicos, facilitando a comunicação de todas as partes envolvidas. “A ação ‘viralizou’ rapidamente e em apenas três horas teve em torno de quatro mil compartilhamentos nas redes sociais”, conta Tiago.

Desde então, cada nova ação veio com um estrondoso sucesso. A associação, que começou com cinco comerciantes, hoje conta com 60 e um patrocinador privado, tendo ainda o apoio do poder público representado pela secretaria da Saúde, da Cultura e a SEDA, por exemplo. O “Cidade Baixa em alta”, então, foi além e trouxe de volta todo o viés cultural, característico do bairro com ações como o “Bueiro com Arte”, que convidou artistas a pintarem bueiros, a fim de deixar as ruas do bairro mais coloridas e criativas e ainda se engajou em questões sociais, com ajuda da FASC, promovendo atividades culturais e de entretenimento para moradores de rua, como a mostra de curtas produzidos entre eles.

A consolidação do sucesso da associação aconteceu sem dúvida no carnaval de rua de Porto Alegre deste ano. A cidade sempre teve a tradição de colocar blocos na rua, mas não era oferecida infra-estrutura adequada para os mesmos, segundo os próprios participantes. Porém, já no ano passado com apoio da associação, cerca de 80 mil pessoas foram às ruas durante o carnaval e esse ano, em um único dia, enquanto a organização do evento esperava em torno de 20 mil pessoas, 45 mil marcaram presença na folia da Cidade Baixa.

Em eventos dessa proporção se torna difícil o controle do público, o que acarreta em dispersão e certo tumulto, por isso o poder público tem sido importante parceiro no auxílio a esses eventos. Entretanto, Tiago afirma que o resultado foi extremamente positivo e ressalta que o “Beatles Day”, acorrido em março, contou com praticamente o mesmo público do carnaval de rua e não registrou qualquer incidente ou tumulto.

Os resultados são inegáveis e o êxito da associação pode ser visto por todos nos números e na aceitação do público a cada nova ação. A Cidade Baixa hoje está mais em alta do que nunca, graças à criatividade e ousadia de um grupo de pessoas que se dispôs a renovar a imagem e o conceito do bairro. As ruas cheias, as noites ébrias, a cultura e a boemia voltaram e ainda há muito mais a caminho. A associação promete diversos eventos ainda esse ano e busca parcerias para inovar e tornar a Cidade Baixa uma referência, assim como expandir as ações para outros bairros e regiões, tornando assim o projeto um exemplo de transformação e reinvenção a ser seguido.

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